Relações inter-pessoais

Relações inter-pessoais

Novo Acordo Ortográfico

O novo acordo ortográfico está em vigor. No entanto, ainda tenho algumas dificuldades em cumprir todos os preceitos. A partir de 17 de Abril, vou tentar escrever de forma adequada às novas regras. Vou tentar!!

domingo, 17 de abril de 2011

Interacionismo simbólico - Mind, Self and Society

Esta corrente teve como precursor George Mead, cujo trabalho foi seguido por Herbert Blumer. De acordo com estes autores, o mundo social constroi-se por meio da interação, simbolicamente. Mead, na sua obra “Mind, Self and Society” (1972) destaca as  interações comunicativas no processo social. Inicialmente, esta corrente foi denominada de behaviorismo social e, segundo Mendonça (2002), Mead distingue no ato social dois tipos de comportamento. Por um lado, um comportamento externo, observável e, por outro, uma atividade interna, não observável, encoberta.
Mead, estabelece três categorias analíticas:
  • Sociedade – contexto objetivo da ação, atividade cooperativa entre os homens;
  • Self – personalidade social dos indivíduos, formada na experiência, no embate  entre o indivíduo e o corpo social;
  • Mente (espírito) – instância reflexiva mediadora entre o Self a sociedade, individualização/interiorização de  normas e expectativas sociais.

Mendonça, J. (2002). Interacionismo simbólico: uma sugestão metodológica para a pesquisa em administração. In REAd – Edição 26 Vol. 8 No. 2, mar-abr 2002
Disponível em: http://seer.ufrgs.br/read/article/view/15646, acedido em 2011-04-12

O interacionismo simbólico – principais fundamentos

Entre 1890 e 1940,  um grupo de teóricos e pesquisadores de várias áreas, com uma orientação política reformista, procurou tornar a sociologia uma ciência empírica. Este movimento, baseou-se na filosofia pragmática,  desenvolvida por Charles Peirce e William James, e ficou conhecido como a Escola de Chicago. Foi neste grupo que surgiu o interacionismo simbólico, destacando-se como principais representantes John Dewey e George Mead, que viria a ser seguido por Herbert Blumer.
O interacionismo simbólico, inicialmente denominado de behaviorismo social, segundo Santos e Dionízio (2010), “acredita que o significado e a verdade das coisas só emergem no desenrolar das experiências, fruto da interação social que os sujeitos desenvolvem, situacionalmente entre si e/ou com todo o social” (p. 5). Ou seja, assenta nos três pilares do pragmatismo. De acordo com Mead, o mundo social constroi-se por meio da interação, simbolicamente. Mead, na sua obra “Mind, Self and Society” (1972), destaca as  interações comunicativas no processo social. Segundo Mendonça (2002), Mead distingue no ato social dois tipos de comportamento. Por um lado, um comportamento externo, observável e, por outro, uma atividade interna, não observável, encoberta. Mead  estabelece três categorias analíticas:
  • Sociedade – contexto objetivo da ação, atividade cooperativa entre os homens;
  • Self – personalidade social dos indivíduos, formada na experiência, no embate  entre o indivíduo e o corpo social;
  • Mente (espírito) – instância reflexiva mediadora entre o Self a sociedade, individualização/interiorização de  normas e expectativas sociais.
Mendonça (2002) refere que foi Blumer que cunhou a expressão “interacionismo simbólico” para esta escola de pensamento sociológico. De acordo com Santos e Dionízio (2010, p. 6), há um “ajustamento recíproco entre o homem e o mundo”.  No mesmo sentido, França, citada pelas referidas autoras,  refere que o termo “interação enfatiza a ideia de ação compartilhada, construída numa relação recíproca entre indivíduos” (idem).  Mendonça (2002) afirma que, na conceção de Blumer, os seres humanos interpretam as ações dos outros ao invés de apenas reagirem a essas ações e que a resposta do indivíduo é baseada no valor que ele atribui a essa ação. Para  Santos e Dionízio (2010),  “ao iluminar o processo comunicativo e a sua natureza prática, deixa-se  de entendê-lo como mera transmissão de mensagens para concebê-lo como um processo de interação construído simbolicamente pelos diferentes atores sociais, em um contexto específico” (p. 6). Segundo Mendonça (2002, p. 9), Blumer estabeleceu três premissas do interacionismo simbólico:
  • Os seres humanos agem em relação às coisas com base nos significados que as coisas têm para eles;
  • O significado de tais coisas é derivado da interação social;
  • Os significados são modificados através de um processo interpretativo.
Mendonça (2002, p. 8) destaca também o contributo de Bryman, segundo o qual “a vida social é vista no interacionismo simbólico como um desdobramento no qual o indivíduo interpreta o seu ambiente e atua com base nessa interpretação”. Para Bryman (1995), os conceitos centrais desta corrente sociológica são a definição da situação e o Self. Segundo este autor, o ser humano antes de atuar passa por um “estágio de examinação e deliberação” (idem, p. 9). De forma similar se posiciona Godoy, segundo o qual “o interacionismo simbólico atribui importância fundamental ao sentido que as coisas (objetos físicos, seres humanos, instituições, ideias valorizadas e situações vivenciadas) têm para os indivíduos” (ibidem).
Goulart e Breguci (1990) defendem que o “interacionismo simbólico concebe a conduta humana como plenamente social” (p. 52).


Santos, A. e Dionízio P. (2010). Sobre uma abordagem propriamente comunicacional: experiência, prática e interação. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. XXXIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Caxias do Sul, RS – 2 a 6 de setembro de 2010
Acedido em 2011-04-12

Mendonça, J. (2002). Interacionismo simbólico: uma sugestão metodológica para a pesquisa em administração. In REAd – Edição 26 Vol. 8 No. 2, mar-abr 2002
Disponível em: http://seer.ufrgs.br/read/article/view/15646, acedido em 2011-04-12

Goulart, I. e Bregunci, M. (1990). Interacionismo simbólico: uma perspetiva psicossociológica. In Aberto, Brasília, ano 9, n. 48, out./dez. 1990. Disponível em: http://www.rbep.inep.gov.br/index.php/emaberto/issue/view/56, acedido em 2011-04-14

Interacionismo simbólico e a filosofia pragmática

Na década de 70 do séc. XIX, reuniram-se no “The Metaphisical Club”, em Boston, cientistas de vários campos da ciência, dos quais se destacaram: Charles Sanders Peirce, William James, Ferdinand Canning Scott Schiller e John Dewey. Na sequência desses debates, Charles Peirce publicou o artigo “How to Make Our Ideas Clear”, em 1878, que viria a ser considerado o marco inicial do pragmatismo. Segundo Peirce, uma conceção inteletual tem que ser considerada, pensando nas suas consequências práticas. Ou seja, para precisar um conceito, é necessário atender ao seu caráter prático. Peirce estabeleceu três pilares do pragamatismo: antifundacioalismo (as ideias são oriundas da experiência), consequencialismo (relação entre o significado e as consequências) e contextualismo (destaque do contexto no desenvolvimento dos conceitos).
Posteriormente, Willians James e John Dewey contribuíram de forma decisiva para a afirmação do pragmatismo. Estes autores preocuparam-se com a compreensão da ciência e estenderam-na à compreensão de situações do quotidiano. James preocupou-se em “perceber o modo como as ideias, para além de significar, servem para orientar os indivíduos a estabelecer relações na experiência” (Santos e Dionízio, 2010, p. 4). Por seu lado, Dewey destaca a marca experiencial das práticas sociais. Ambos os autores enfatizaram a importância do relacional, do dinâmico e do experencial, e assim, alargaram as fronteiras do pragmatismo, que viria a constituir a base do interacionismo simbólico que nasceu na Escola de Chicago. Há, no entanto alguns autores como Benzies e Allen, citados por Carvalho et al. (2010) que localizam as origens do interacionismo simbólico em tempos mais remotos, nomeadamente,  nas “conceções dos moralistas escoceses do século XVIII e dos idealistas alemães do século XIX” (p. 148).
Santos, A. e Dionízio P. (2010). Sobre uma abordagem propriamente comunicacional: experiência, prática e interação. Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. XXXIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Caxias do Sul, RS – 2 a 6 de setembro de 2010
Acedido em 2011-04-12
Carvalho, V. et al. (2010). Interacionismo Simbólico: Origens, Pressupostos e Contribuições aos Estudos em
Psicologia Social. In psicologia ciência e profissão, 2010, 30 (1), 146-161. Disponível em:
Mendonça, J. (2002). Interacionismo simbólico: uma sugestão metodológica para a pesquisa em administração. In REAd – Edição 26 Vol. 8 No. 2, mar-abr 2002
Acedido em 2011-04-12

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Bullying - Outro ponto de vista!

O Bullying é um fenómeno especialmente violento. Contudo, na escola, devemos abordar o problema, tendo em vista a vítima, mas também o agressor e as testemunhas. Todos sofrem com a situação. Muitas vezes, temos que ver a montante, tentando intervir de forma preventiva e, a juzante, tentando minorar as consequências.

Bullying - Um ponto de vista!

As relações interpessoais - Observações

As relações interpessoais fazem parte do dia-a-dia do ser humano. As escolas são frequentadas por alunos, professores, funcionários, pais e encarregados de educação, bem como por outros membros da comunidade, embora de forma menos consistente. Os diversos actores inter-relacionam-se: alunos/alunos, professores/professores, professores/alunos,… Assim, podemos observar inúmeras relações interpessoais.
Ao longo de alguns dias observei e reflecti sobre as relações que se estabelecem entre os «habitantes das escolas» (expressão utilizada por Costa e Matos, 2007) do agrupamento onde exerço funções. A aceitação é fundamental para que o regular funcionamento do «edifício educativo». Assim, verifiquei que a aceitação está presente no quotidiano das escolas. Na maior parte das situações, os professores aceitam os alunos nas suas diferenças; os alunos aceitam os professores; os alunos aceitam os colegas,… Só assim, é possível a convivência entre todos. Uma forma de aceitação, que também pode ser observada é a popularidade de que alguns alunos gozam. Estes alunos são populares pelas suas características pessoais que evidenciam.
Encaro a aceitação como essencial para o funcionamento da escola. No entanto, num patamar superior temos a reciprocidade nas relações interpessoais que se estabelecem entre os diversos actores. A reciprocidade relaciona-se com as trocas, com a cooperação que dois ou mais indivíduos estabelecem entre si. Pude observar relações de reciprocidade quando os alunos se apoiam nas suas dificuldades, os professores trocam experiências e materiais. A reciprocidade nas relações é meio caminho andado para que estas sejam consistentes e duradouras. A reciprocidade é dar e receber, sem que isso seja imposto, mas de forma espontânea e natural.
A interdependência surge como uma forma de relacionamento em que os indivíduos partilham um mesmo objectivo e se unem, por missão ou por visão, em tarefas comuns. Numa relação de interdependência, cada indivíduo tem um papel importante a desenvolver em prol dos objectivos do grupo. Na escola, as actividades colaborativas implicam interdependência. Pude observar situações de interdependência, na realização de trabalhos de grupo de alunos; na realização da feira do livro (com a colaboração de professores, alunos e funcionários em que cada um teve uma tarefa a desenvolver num tempo específico); no laboratório de formação em que vários docentes, em equipa, se empenharamm na concretização dos objectivos do plano de formação do agrupamento; nas reuniões entre encarregados de educação e directores de turma para resolver problemas ocorridos com os educandos.
A rejeição pode ser vista como a não-aceitação do outro e ocorre por diversos motivos: diferenças culturais, físicas, intelectuais,… No entanto, a rejeição começa, muitas vezes, no próprio indivíduo que tem dificuldade em se relacionar com os outros. As situações de rejeição observadas foram raras. Pude observar uma aluna, que se isola e a isolam, com bastante frequência. Um aluno apresentou uma atitude de rejeição perante as actividades propostas pela professora, recusando-se a cumprir as tarefas que estavam previstas, pondo em causa o desenvolvimento da aula. Tal situação implicou a rejeição da professora que aplicou o procedimento disciplinar de exclusão da sala de aula.

domingo, 27 de março de 2011

Relações inter-pessoais – perspectivas de investigação

No campo da investigação das relações inter-pessoais surgiram, duas perspectivas diferentes: a perspectiva linear e a perspectiva sistémica.
A perspectiva linear procura explicar os comportamentos numa relação causa-efeito, em que há contiguidade da acção com acontecimentos antecedentes e consequentes. Considera-se que a maneira de agir é afectada por variáveis do ambiente físico, social ou cultural – Factores Exógenos – e por variáveis intra-individuais (crenças, percepções, sentimentos,…) – Factores  Endógenos. Dentro desta perspectiva, Ellis desenvolveu a Terapia Racional Emotiva que evoluiu para a Terapia Racional Emotivo-Comportamental ao incluir os factores ambientais. Nesta perspectiva, há uma visão compartimentada e estão presentes os conceitos newtonianos de regularidade, uniformidade, previsibilidade e controlo. Nesta  óptica, seriam descobertas leis gerais de funcionamento (à semelhança do que aconteceu na mecânica) através do estudo das realidades objectivas. Estas leis conformar-se-iam em enunciados de regularidade e uniformidade que permitiriam fazer previsões mecânicas e probabilísticas sobre o comportamento dos organismos. Para alcançar essas leis, nesta perspectiva, quanto mais aprofundado o conhecimento das partes, maior seria o conhecimento sobre o todo. Assistiu-se, assim, a uma compartimentação de algumas disciplinas e surgiram sub-especializações: etologia, psico-biologia, sócio-biologia,…, isolando-se, os investigadores. Estas novas áreas trouxeram informações relevantes, mas não resolveram os problemas actuais, pelo que emergiram novas perspectivas, entre as quais se destaca a perspectiva sistémica. Nesta abordagem, tenta-se compreender a influência recíproca das partes do sistema e dessas com o seu entorno. O sistema é visto como “uma combinação ordenada de partes que interagem para produzir um resultado” (Del Prette, & Del Prette, 2007, p. 25). Reconhece-se que cada sub-sistema possui uma relativa autonomia, mas que faz, ao mesmo tempo, parte de sistemas mais amplos. Esta perspectiva, apesar da visão holística, não elimina a decomposição dos sistemas em sub-sistemas. A explicação sistémica procura para além das causas imediatas dos factores intra-individuais e das variáveis do entorno.  “Os sistemas humanos são determinados pela forma como seus componentes se relacionam entre si e isto lhe confere a estrutura” (Del Prette, & Del Prette, 2007, p. 28). Por outro lado, a realidade pode ser percepcionada de formas diferentes, em momentos diferentes ou por indivíduos diferentes. Denota-se, desta forma, que apesar da objectividade da situação, a percepção da mesma é sempre subjectiva.

Del Prette, A & Del Prette, Z. (2007). Psicologia das Relações Interpessoais (6.ª ed.). Petrópolis: Editora Vozes, pp. 212-221.